Igatu, no coração da Chapada

No alto da serra, no coração da Bahia, existe uma pequena vila com casas construídas em tocas de pedras, pessoas que se encontram na praça para conversar sem pressa e ruínas que contam historias de garimpeiros e garimpos.

HISTÓRIA

Na vila de Igatu, a vida corre num outro ritmo. Um lugar perfeito para passar ótimos dias numa tranquilidade bem tranquila à beira do rio. Percorrendo trilhas, desbravando cachoeiras e se aventurando por antigos garimpos. A pequena vila está localizada no sul da Chapada Diamantina e faz parte do Municipio de Andaraí.

Crédito imagem: Danielle Pinto

Atualmente Igatu conta com cerca de 400 moradores. Porém, durante o século 19, no auge da exploração do diamante na região, chegou a ter cerca de 9 mil habitantes, sendo a maior cidade da Chapada Diamantina. O diamante acabou e no inicio do século 20 a cidade passou por um período muito difícil. Antigos moradores contam que nesta época, nao se encontrava nada além de xique-xique (um cacto da região) e candango para se comer.

Na década de 80 grande parte da Chapada Diamantina virou Parque Nacional e o garimpo foi proibido na região de Igatu.  A vila foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e pelo Instituto do Patrimônio Histórico-Artístico Nacional. E o turismo, ainda incipiente se comparado com a cidade vizinha de Lençóis, vai se firmando como a principal atividade para os moradores do vilarejo.

 

Rios e Cachoeiras

Ao redor da cidade existem várias opções para se refrescar nas horas quentes do dia. Meu lugar preferido para um mergulho rápido foi o Poço da Madalena. Localizado no Rio Coisa Boa, o Poço da Madalena está distante cerca de 15 minutos da praça. É grande o suficiente para uma boa prática de natação. Caminhando um pouco mais, subindo o Rio dos Pombos, outra ótima pedida são as Cadeirinhas ou Cachoeira dos Pombos. Um bom lugar para banhar se, principalmente para as crianças, pois não é muito fundo, e as pedras formam confortáveis poltronas bem embaixo das quedas d`agua. Puro desfrute.

Cachoeira do Califórnia. Crédito imagem: Danielle Pinto

Mergulho no rio Paraguaçu. Crédito da imagem: Danielle Pinto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para caminhadores mais animados, a cachoeira do Califòrnia é um passeio imperdível. A queda d`agua fica dentro de um canyon e cai forte e refrescante. São cerca de 40 minutos percorrendo o caminho de pedra que leva a Andaraí. O California foi um dos principias garimpos de ouro de Igatu, e por todo o caminho se pode observar ruínas de casas de pedras e canais de água para lavagem do cascalho.

Seguindo por uma trilha que liga Igatu a cidade vizinha de Mucugë, também existe outra linda cachoeira, com dois nìveis de queda. É a conhecida Cachoeira do Taramba, para os locais, ou Cachoeira do Vitorino, como aparece no mapa da região. A caminhada dura menos de uma hora.

Um pouco mais distante de Igatu – , è preciso pegar o carro e ir sentido Mucugê, por cerca de 3km -, encontramos a Cachoeira das Trës Barras, dos Cristais e a Cachoeira da Fenda. Passeio para um dia cheio. Sao cerca de 2 horas de caminhada (somente ida) atè as Três Barras, com cerca de 40m de queda d`agua, e mais uma hora até as cachoeiras dos Cristais, com 60m de queda e da Fenda com 30m. Difícil é saber qual é a mais bonita. O passeio é recomendado para quem está em boa forma.

A Cachoeira do Rosinha e da Favela estão localizadas no rio Piabas. Sao duas horas de caminhada até atingir o leito do rio. Aquí vale a pena ir cedo para passar o dia aproveitando os excelentes poços para banho e as lages de pedras para tomar sol. Durante todo o curso do rio as formações rochosas sao impresionantes.

Trekking

Para os aventureiros que visitam Igatu, conhecer a Rampa do Caim é roteiro obrigatório. O lugar foi moradia de um antigo garimpeiro e de lá è possível ver o encontro do vale do Rio Paty com o canyon do Rio Paraguaçú. A caminhada é longa, cerca de 3 horas, mas o visual compensa. Do alto da Rampa do Caim é possível avistar o Morro do Castelo, importante atração localizado no alto do Vale do Paty.

Se o trekking até a Rampa do Caim não for aventura suficiente, ainda é possível baixar caminando até o rio Paraguaçú,  apartir dele entrar no rio Paty e seguir até chegar ao Vale do Paty.  A caminhada é mais dura pois segue grande parte por dentro do rio Paty, pulando pedras o tempo todo. É indicada somente para quem já tem experiencia com este tipo de terreno de caminhada. São três dias até chegar ao Vale do Paty, dormindo em tocas na beira do rio, por um lugar pouco visitado devido a dificuldade do trajeto.

Existem outras opções para chegar ao Vale do Paty. Partindo de Andaraí, por exemplo, são 18 km que podem ser percorridos em um único dia através da Ladeira do Império. Mas o caminho pelo rio Paty é o único onde você não vai encontrar viva alma durante o trajeto e se sentir realmente em um lugar inexplorado e selvagem.

Escalada em Rocha

A vila de Igatu está cercada de setores de escalada, por onde se olha se vë lindas formações rochosas. Qualquer escalador fica com vontade de sair subindo pelas paredes. São mais de 100 vias de escalada distribuidas em 8 setores, alem de centenas de boulders por todos os lados. Caminhando nao mais que 20 minutos se tem acesso a dois setores de escalada esportiva, o Labirinto e o Verruga. O Labirinto é com certeza o setor mais frequentado, com cerca de 50 vias do quarto ao oitavo grau, em média com 15 a 20 metros de extensão.

Boulder no Rosinha. Crédito imagem: Ingo Moller

Escalada no setor Labirinto. Crédito imagem: Danielle Pinto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se a idéia for escalar do lado do rio, ou de uma cachoeira, não tem problema. Tem setor de escalada na Cachoeira do Rosinha e na Cachoeira do Califórnia. Uma ótima combinação para os dias quentes na Chapada Diamantina. Igatu também tem recebido uma grande quantidade de boulderistas. O que não é de se espantar, já que blocos de rocha se vë aos montes por todo os arredores da cidade. A combinação de escalada e banho de rio é também muito praticada entre os  boulderistas já que alguns dos setores de  boulders mais frequentados estão próximos a Cachoeira do Rosinha, do Califórnia e do Rio Laranjeiras.

Os piscoblocs também estão espalhados ao longos do rio Piabas próximos a cachoeira do Rosinha e na Cachoeira Donana, no rio Paraguaçu. As posibilidades são muitas, pois pedra e àgua não faltam em Igatu. Importante sempre checar o fundo antes de começar a escalar, já que a água é escura e sem nenhuma visibilidade.

Rafael escalando no setor Labirinto. Crédito imagem: Danielle Pinto

Psicobloc na Donana. Crédito imagem: Danielle Pinto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SERVIÇOS

A vila de Igatu possui apenas algumas pousadas, as quais ficam lotadas nos meses de julho e janeiro, sendo necessário fazer reserva antecipada. O comércio é praticamente inexistente, com exceção de um pequena mercearia. Os moradores vão nos dias de feira para as cidades vizinhas de Andaraí e Mucugê para se abastecerem. Bancos, hospitais e outros servicos também somente estão disponíveis nestas duas cidades vizinhas. Andaraí está a cerca de 12 km e Mucugê 21 km.

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